Mensagens do Provedor

A Crise


Provedor Luis Venturinha Caros amigos e colaboradores.

Estamos em crise.

  • Crise económica e financeira do país.
  • Crise na falta de confiança dos cidadãos nas medidas apontadas pelo Governo; talvez por falta de conhecimentos mais profundos sobre a matéria.
  • Crise na falta de alternativas verdadeiramente credíveis e convincentes.
  • Crise na falta de confiança no futuro.

Estas e outras crises associadas, acabam por carregar as famílias portuguesas, principalmente as mais carenciadas, de grandes angústias, pois tudo à sua volta se pode transformar em tragédia. Desde o espectro do desemprego, os magros orçamentos familiares não chegarem para os gastos básicos da alimentação e sobrevivência, os desvios comportamentais provocados pelo desespero, o aumento da delinquência e, por último, a falta de Instituições para responderem a este tipo de situações já tão abundantes no país.

Por questões de princípio, devemos acreditar que as medidas propostas pelo governo que o povo português escolheu, embora anti-sociais e drásticas, serão o melhor que se pode fazer para se voltar a repor o equilíbrio económico/financeiro do país e a confiança em geral.

De maneira nenhuma quero advogar sobre tal matéria, pois embora como cidadão tenha a minha opinião, considero os meus conhecimentos demasiado frágeis sobre tamanha dimensão e complexidade de ministérios, empresas, serviços, e milhentos pormenores que todos os anos, muitas vezes ao sabor de acasos pontuais, acabamos por saber via comunicação social. E mesmo aqui, teremos de considerar que a publicidade também precisa de alguns ramalhetes.

Agora, embora com o cargo de Provedor, não posso demitir-me de ser cidadão e gestor. E, nessa qualidade, também tenho o direito de viver com apreensão a conjuntura político-social do país, pois as Instituições de Solidariedade, enquanto parte integrante da conjuntura social e económica do país, vivem em coabitação com a legislação e normas institucionais e com as famílias e pessoas mais carenciadas.

Tenho consciência também que não podemos parar; que o amanhã se constrói hoje. Não o fazendo, corremos o risco de que os nossos utentes vindouros, pela própria evolução da vida, se sintam marginalizados por não haver Instituições com instalações e acompanhamento à altura das suas necessidades e hábitos de vida, então adquiridos e legítimos.

E é nestas condições, como qualquer cidadão português, pese embora a dimensão da responsabilidade, que também me questiono sobre o que nos espera no futuro. Será melhor ficarmos a agonizar, até nos permitirem mantermos as nossas instalações menos adequadas às normas actuais, ou vamos ter que continuar a investir para o futuro, acreditando que seremos todos capazes de ultrapassar esta crise instalada? Mesmo sabendo que teremos de continuar a fazer alguns sacrifícios, acredito que nos orgulharemos de poder vir a usufruir de instalações e prestação de serviços que nos dignifiquem, e valorizem o bem-estar dos nossos utentes.

Para terminar, não posso deixar de, ironicamente, fazer uma singela comparação com as decisões governamentais, ou seja, vamos ter de hipotecar um pouco o presente se queremos ter um futuro melhor.


Um bem-haja e até á próxima edição.



O Provedor

Luís Venturinha de Vilhena


Sines, 03 de Novembro de 2010.


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